A gestão financeira interna do Banco de Moçambique está a ser alvo de forte escrutínio público. Relatórios relativos ao ano de 2025 revelam que o orçamento destinado a cobrir as remunerações da liderança do banco central atingiu níveis históricos. Seis administradores de topo da instituição receberam, em termos globais, 340,5 milhões de meticais em salários ao longo do ano passado.
A engenharia financeira destas remunerações divide-se em duas origens distintas:
Pagamento Direto: Aproximadamente 300 milhões de meticais foram liquidados de forma direta pelos cofres do Banco de Moçambique.
Participações Sociais: Os restantes 40,5 milhões de meticais foram obtidos através da participação dos gestores em entidades e empresas participadas pelo banco, tais como a KuHha, SIMO, Afrexim Bank e a rede Swift.
“Com estas contas, estima-se que cada administrador do Banco de Moçambique tenha auferido, em média, uma remuneração de cerca de 4,7 milhões de meticais por mês durante o ano de 2025.”
Aumento de 340% em Relação ao Passado
O jornal Canal de Moçambique estabeleceu um termo de comparação com os mandatos anteriores à chegada de Rogério Zandamela. No passado, a instituição funcionava com uma estrutura maior, composta por nove gestores de topo. Apesar do maior número de quadros na direção, o orçamento anual global alocado ao pagamento de salários fixava-se na casa dos 99 milhões de meticais. Contas feitas, os ordenados da administração dispararam cerca de 340% no atual mandato.
Esta revelação surge num momento de particular vulnerabilidade para o país. Moçambique atravessa uma conjuntura económica e social complexa, caracterizada pela subida galopante do custo de vida, escassez de oportunidades de emprego e graves assimetrias no acesso a serviços básicos. O fosso entre os salários do regulador financeiro e a realidade dos cidadãos promete intensificar o debate público sobre a moralidade, a ética e a justiça na distribuição dos recursos do Estado.
COMENTÁRIOS E INTERAÇÃO
O que pensa sobre estes valores salariais?
Considera que os salários de 4,7 milhões de meticais por mês se justificam pela responsabilidade de gerir a política monetária do país, ou concorda que esta triplicação é desproporcional face à crise económica que os moçambicanos enfrentam? Deixe o seu comentário abaixo e partilhe a sua opinião de forma construtiva!
FONTE
Informações apuradas e publicadas originalmente pelo semanário Canal de Moçambique.