Um estudo científico recente revelou que quatro dias consecutivos de chuvas torrenciais e deslizamentos de terra na ilha de Sumatra, na Indonésia, provocaram a morte de aproximadamente 7% da população global do orangotango de Tapanuli, a espécie de grandes primatas mais ameaçada do planeta. O desastre climático, provocado pela passagem devastadora do ciclone Senyar no final do ano passado, colocou estes animais ainda mais perto da extinção definitiva.
O balanço trágico de um evento climático extremo
Identificado pela comunidade científica apenas no ano de 2017, o orangotango de Tapanuli contava com uma população já bastante reduzida, estimada em menos de 800 indivíduos em todo o mundo. De acordo com o relatório publicado na última quarta-feira, pelo menos 58 espécimes perderam a vida em decorrência direta das intempéries de novembro. Os investigadores alertam que estes dados são altamente conservadores, uma vez que não contabilizam o impacto da destruição das copas das árvores nem a escassez severa de alimentos que se seguiu à tempestade.
“Se hectares inteiros de floresta desabam em deslizamentos massivos, até os orangotangos mais fortes ficam indefesos e acabam mutilados pela força da natureza”, explicou o professor Erik Meijaard, um dos autores da investigação.
O ciclone Senyar, que arrasou a região de Sumatra, causou também a perda de mais de 1.000 vidas humanas, fixando-se como o desastre natural mais mortífero registado no Sudeste Asiático no ano de 2025. Contudo, quantificar os danos colaterais na fauna selvagem tem sido um desafio complexo para as equipas no terreno.
Relatos do terreno e a descoberta de carcaças
Após a passagem do ciclone, as equipas de conservação ambiental notaram uma redução drástica e invulgar nos avistamentos desta espécie, o que alimentou as piores suspeitas de que os símios tivessem sido arrastados pelas correntes de lama. Semanas após a catástrofe, equipas de ajuda humanitária confirmaram o cenário trágico ao localizarem restos mortais de animais soterrados em destroços florestais:
Localização de carcaças semi-enterradas na vila de Pulo Pakkat.
Destruição severa do habitat natural no distrito central de Tapanuli.
Sinais de mutilação extrema nos corpos provocados por deslizamentos massivos.
Transformação de antigas zonas de alimentação em autênticos cemitérios da vida selvagem.
A nova estimativa de 58 óbitos representa um aumento alarmante em comparação com as primeiras projeções feitas em dezembro, que apontavam para cerca de 35 perdas. Os autores do artigo sublinham que este caso demonstra claramente como os eventos meteorológicos severos e agudizados pelas alterações climáticas globais constituem agora uma ameaça direta e imediata à sobrevivência das espécies mais vulneráveis do ecossistema mundial.
Fonte: Adaptado de Estudos Científicos / Borneo Futures / BBC
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