O antigo Presidente da República de Moçambique, Joaquim Alberto Chissano, voltou a trazer para o debate público reflexões profundas sobre o papel da educação, as oportunidades para a juventude e os desafios do mercado de trabalho contemporâneo. As declarações foram prestadas durante uma entrevista concedida ao podcast “Tu Pra Tu”, apresentado pelo rapper e comunicador Young Ricardo.
Durante o diálogo, o ex-chefe de Estado defendeu com firmeza que a formação académica e o ensino superior não devem ser encarados pelos jovens apenas como um passaporte direto para a obtenção de um emprego formal, mas sim como uma ferramenta indispensável para a assimilação de saberes capazes de transformar a realidade social e económica.
A criação de trabalho e o incentivo ao autoemprego
Na visão de Joaquim Chissano, a dependência exclusiva do mercado de trabalho tradicional limita o potencial criativo da nova geração, sendo fundamental mudar a mentalidade dos recém-graduados para que se tornem agentes ativos na geração de soluções.
“Os jovens não deviam estudar para encontrar emprego. Deviam estudar para adquirir conhecimento. Com conhecimento, é possível criar trabalho, gerar oportunidades e contribuir para que outras pessoas também tenham uma fonte de rendimento”, enfatizou o antigo estadista durante a conversa.
Para o ex-Presidente, o verdadeiro valor do conhecimento reside na capacidade de fundar novos negócios, apostar no autoemprego e criar postos de trabalho que beneficiem a coletividade, multiplicando a capacidade produtiva do país.
Migração jovem e a procura por oportunidades
Confrontado sobre o fenómeno do fluxo migratório de jovens moçambicanos que demandam países como Portugal e África do Sul em busca de melhores condições de vida, Chissano recordou que a mobilidade humana não é um facto recente na história nacional, citando a sua própria experiência académica em Portugal durante a década de 1960.
“Quando trabalha uma pessoa, produz-se alguma coisa; quando trabalham duas ou mais, produz-se ainda mais”, destacou o ex-líder, reiterando que a preparação técnica e a dedicação são determinantes em qualquer parte do mundo.
Apesar de reconhecer as dificuldades estruturais que o país ainda enfrenta na absorção de mão-de-obra, Joaquim Chissano sublinhou que os jovens têm a liberdade de procurar oportunidades dentro ou fora das fronteiras nacionais, desde que estejam devidamente capacitados para enfrentar os desafios do mercado global.
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