Uma dramática odisseia médica e humana está a chocar a opinião pública em Moçambique. Aos 33 anos de idade, Obisse Monasse enfrenta há cerca de três anos uma dura e dolorosa batalha contra um tumor agressivo na face, num percurso marcado por transferências hospitalares sucessivas e pareceres clínicos contraditórios entre diferentes unidades de saúde do país.
Após iniciar o acompanhamento médico no distrito de Ile, na província da Zambézia, o jovem foi transferido para o Hospital Central de Quelimane e, posteriormente, observado no Hospital Central de Maputo. Na capital do país, exames aprofundados e uma biópsia diagnosticaram formalmente um ameloblastoma da maxila, um tumor de grande dimensão que se estende já até à base do crânio.
Esperança frustrada e indicação de cuidados paliativos
Numa fase inicial do atendimento na capital, a família foi instruída pelas equipas de saúde a realizar diversos exames pré-operatórios e até a mobilizar doadores para juntar unidades de sangue para uma eventual intervenção cirúrgica de urgência. Contudo, as expetativas foram subitamente frustradas com uma mudança drástica no prognóstico.
“Fomos informados pelas equipas médicas de que o caso já não tem possibilidade de tratamento que leve à cura, restando apenas a administração de cuidados paliativos”, lamentaram os familiares ao descreverem o desespero de receberem a sentença de um tumor inoperável.
Com o parecer desfavorável, o paciente regressou à sua terra natal, no distrito de Ile, onde a história tomou um novo e confuso rumo que reacendeu a esperança da família.
Pareceres opostos geram impasse e abandono
Ao ser reavaliado no distrito, outro profissional de saúde manifestou um entendimento completamente divergente do parecer emitido em Maputo, assegurando que ainda seria possível submeter o jovem a um tratamento curativo e encaminhando-o novamente para o Hospital Central de Quelimane.
“Ao dar entrada naquela unidade hospitalar, fomos informados de que não havia condições para o tratamento e fomos orientados a voltar para casa sem qualquer solução”, denunciaram os familiares em declarações à Miramar.
Perante o vaivém constante entre hospitais e a contradição aberta entre os diagnósticos apresentados, a família de Obisse Monasse clama agora por uma terceira opinião médica especializada e neutra, exigindo que as autoridades de saúde esclareçam com transparência qual é a real situação clínica do paciente e garantam o devido apoio humano e médico.
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