O Conselho Nacional de Transição (CNT) da Guiné-Bissau, órgão que desempenha as funções do Parlamento no país desde o golpe de Estado de 26 de novembro passado, condenou esta semana com veemência a crescente divulgação de conteúdos íntimos de jovens nas redes sociais. Numa nota pública de repúdio, o atual poder político qualificou o fenómeno como uma “grave ameaça à privacidade, à dignidade humana e à estabilidade social” da nação.
O alerta surge numa altura em que as plataformas digitais mais populares entre a população guineense estão a ser tomadas por uma vaga sem precedentes de conteúdos sensíveis e de cariz privado.
A busca desesperada por notoriedade e os perigos no espaço digital
Nos últimos meses, as redes sociais de utilizadores guineenses — com especial destaque para o TikTok, Facebook e Instagram — têm sido inundadas por vídeos e imagens íntimas que envolvem raparigas e jovens mulheres com idades compreendidas entre os 15 e os 35 anos.
“Trata-se de um fenómeno alarmante impulsionado, em muitos casos, por uma busca desesperada por fama, notoriedade rápida e seguidores nas plataformas digitais, com consequências devastadoras para a vida pessoal e familiar das vítimas”, assinalam observadores sociais na capital, Bissau.
A exposição indevida e a partilha massiva destes conteúdos têm gerado uma forte onda de indignação entre famílias, líderes comunitários e organizações da sociedade civil, que exigem uma intervenção urgente para proteger os jovens e restaurar a moral pública no ambiente virtual.
Apelo às autoridades judiciais e policiais para atuação rigorosa
Perante a gravidade do cenário e o impacto psicológico e social sobre as vítimas, a liderança do Conselho Nacional de Transição dirigiu um apelo direto aos órgãos de aplicação da lei para travar a impunidade na internet.
“O CNT exorta as autoridades judiciais e policiais a atuarem com a máxima urgência, adotando medidas concretas, rigorosas e exemplares para travar a proliferação desses conteúdos no espaço digital”, declarou o órgão legislativo na sua nota oficial.
As autoridades pretendem reforçar a fiscalização cibernética e responsabilizar criminalmente não apenas quem produz ou protagoniza os vídeos, mas também os utilizadores e administradores de páginas que promovem a difusão e partilha não consentida de material explícito na internet.
O Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM) disponibilizou recentemente uma nova plataforma digital projetada para permitir aos cidadãos verificar...