O Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM) veio a público esclarecer os contornos da operação policial que terminou com a morte de Narciso Sambo na noite da última sexta-feira, 18 de julho, na vila de Xinavane, distrito da Manhiça, província de Maputo. A ação, conduzida por uma força conjunta, foi desencadeada na sequência de denúncias populares e visava capturar um homem considerado de extrema perigosidade pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC).
Segundo o comunicado oficial, Narciso Sambo era apontado como o cabecilha de vários crimes hediondos que aterrorizavam a população local, incluindo homicídios, violações sexuais, roubos à mão armada e raptos. No entanto, o desfecho da diligência foi trágico: durante a abordagem num espaço público e de forte movimento, registou-se uma troca de tiros que culminou na morte do suspeito. A PRM lamentou publicamente o sucedido, destacando o perigo de a operação ter decorrido numa zona frequentada por civis.
Numa postura de transparência que merece destaque, o Comando-Geral da PRM anunciou a abertura de uma investigação rigorosa para apurar se houve excesso de força por parte dos agentes envolvidos. A instituição reforçou que, embora a prioridade seja garantir a ordem e a segurança pública, o compromisso com os direitos humanos e a proporcionalidade no uso da força é inegociável. Procedimentos disciplinares e criminais poderão ser instaurados caso se comprove desvio de conduta. Onde deve estar o limite entre a acção policial implacável contra criminosos perigosos e a salvaguarda da vida em zonas civis? O debate sobre a actuação armada da polícia está aberto.
Enquanto a investigação do SERNIC e da inspeção interna prossegue, o caso divide opiniões entre os moradores de Xinavane, que por um lado respiram de alívio pelo fim da rota de crime atribuída ao suspeito, mas que, por outro, expressam preocupação com a segurança nas ruas durante operações desta magnitude.
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