Os residentes do distrito de Massingir, situado na província de Gaza, estão a viver sob um clima de medo e pânico generalizado devido a incursões constantes de manadas de leões e alcateias de hienas. Os predadores, que escapam das zonas de conservação, têm invadido os aglomerados populacionais, atacado violentamente os animais domésticos e colocado em risco direto a integridade física e a segurança de centenas de famílias locais.
Hienas
Prejuízos económicos severos e o grito de socorro das comunidades
De acordo com os relatos desesperados dos criadores e moradores daquela região, a presença dos felinos e das hienas traduziu-se na destruição sistemática de rebanhos inteiros de gado bovino e de animais de tração, como os burros. Esta situação está a sufocar financeiramente as famílias camponesas de Massingir, cuja economia e subsistência diária dependem quase exclusivamente da atividade pecuária.
Diante da agressividade e do aumento geométrico dos ataques, o governo distrital veio a público reconhecer de forma aberta que carece de capacidade técnica, logística e operacional para travar os predadores, tendo emitido um pedido de auxílio institucional urgente direcionado aos gestores da fauna bravia.
“Não podemos sair de casa à noite e o nosso gado está a ser devorado todos os dias. Exigimos uma solução antes que os leões comecem a matar pessoas”, desabafou um dos residentes afetados pela crise.
Parque Nacional do Limpopo promete capturar os predadores nos próximos dias
A reação oficial não se fez esperar perante a gravidade do cenário. O recém-nomeado administrador do Parque Nacional do Limpopo, Abel Nhabanga, assumiu o compromisso público de que as suas equipas especializadas de fiscalização vão avançar no terreno, nos próximos dias, com operações de cerco e captura dos animais rebeldes, visando a sua devolução segura às áreas protegidas e vedadas de conservação.
Paralelamente, o plano de contenção e as exigências políticas estruturam-se nos seguintes pontos:
O reconhecimento oficial da vulnerabilidade das comunidades face à fauna protegida.
O apelo urgente da governadora de Gaza, Margarida Mapandzene, para reforçar os sistemas de vedação do parque.
A exigência governamental de que a segurança da população moçambicana deve ser a prioridade máxima sobre a conservação.
A necessidade de desenhar mecanismos de compensação financeira pelos animais domésticos abatidos.
A liderança do executivo provincial de Gaza reiterou que o desenvolvimento rural e a coexistência entre o homem e a fauna só serão possíveis se as agências de conservação assumirem a responsabilidade direta de monitorizar e travar a fuga de animais perigosos para as zonas agrícolas.
Fonte: Governo Distrital de Massingir / Administração do Parque Nacional do Limpopo / TV Sucesso
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