
A Associação de Médicos Tradicionais de Moçambique (AMETRAMO) em Manica lançou duras acusações contra alguns líderes religiosos, afirmando que estes recorrem secretamente a curandeiros para obter meios de “fortificar” igrejas, realizar supostos milagres e atrair mais fiéis.
A denúncia foi tornada pública nesta segunda-feira, 31 de agosto, durante as comemorações do Dia da Medicina Tradicional Africana.
A contradição entre os púlpitos e as práticas noturnas
De acordo com o presidente da AMETRAMO em Manica, vários pastores que criticam publicamente a medicina tradicional nos seus discursos acabam por procurar os praticantes à socapa, principalmente durante o período noturno, com o objetivo de aumentar o número de crentes, dízimos e ofertas.
A conselheira da associação, Emília Olavo, reforçou as críticas, classificando como totalmente contraditória a postura destes líderes religiosos que condenam a medicina tradicional nos púlpitos e, simultaneamente, recorrem a ela em privado.
Reações dos líderes religiosos e da saúde
- Posição dos religiosos: Questionado sobre o assunto, o pastor Alexandre Domingos, da Igreja Seguidores da Fé, optou por não confirmar nem desmentir as acusações, admitindo contudo que existem pastores que pregam uma coisa e praticam outra, aos quais classificou como “fariseus”.
- Apelo da saúde convencional: Por sua vez, o médico-chefe de Manica, Flávio Roque, apelou aos curandeiros para que respeitem rigorosamente os limites da sua atuação, recomendando o encaminhamento imediato dos pacientes para as unidades sanitárias sempre que a situação clínica ultrapasse a sua capacidade de intervenção.
A AMETRAMO defende que deve existir um maior respeito mútuo pela medicina tradicional, bem como uma articulação mais estreita e transparente com a medicina convencional.
