
A ideia de que os adultos precisam impreterivelmente de oito horas de sono por noite está profundamente enraizada na sociedade, estando associada à popularização, no século XIX, da divisão do dia em oito horas de trabalho, oito de lazer e oito de descanso. No entanto, novos estudos e investigações científicas vêm reavaliar esta regra rígida e mostrar qual é a verdadeira necessidade de descanso para o organismo.
O que dizem os estudos científicos?
Para compreender melhor os padrões de sono em sociedades pouco expostas à industrialização e à iluminação artificial, investigadores estudaram populações de subsistência tradicional. Um estudo publicado em 2015 na Current Biology analisou os hábitos dos Hadza (na Tanzânia), dos San (na Namíbia) e dos Tsimane (na Bolívia). Verificou-se que os participantes dormiam, em média, cerca de 6,4 horas por noite, raramente dormindo durante o dia e adormecendo horas após o pôr do sol.
Na mesma linha, uma nova revisão publicada na Brain Medicine reavaliou a evidência sobre o sono em sociedades pré-industriais, concluindo que a industrialização alterou sobretudo o momento e a regularidade do descanso, bem como a sua relação com o ciclo natural de luz e escuridão.
Além disso, se definirmos “sono ideal” como a duração associada aos melhores indicadores de saúde, investigações de grande dimensão apontam para um intervalo inferior a oito horas para muitos adultos. Um estudo publicado em maio na Nature analisou 23 indicadores de envelhecimento biológico e concluiu que os menores indicadores de idade biológica foram observados em pessoas com um sono entre 6,4 e 7,8 horas. No entanto, segundo o ZME Science, estes resultados refletem associações e não provam que alterar a duração do sono altere diretamente o envelhecimento ou a doença, uma vez que a necessidade fisiológica varia de indivíduo para indivíduo.
“A conclusão é que as necessidades de sono variam entre indivíduos e que duração, regularidade e horário devem ser considerados em conjunto.”
