
O município mineiro de Extrema foi palco de um dos crimes mais chocantes e insólitos da crónica negra brasileira em outubro de 2015. Larissa Gonçalves de Souza, uma estudante de Biomedicina de apenas 21 anos, desapareceu sem deixar rasto no dia 23 de outubro daquele ano, após estacionar a sua viatura na rodoviária local de onde apanharia um autocarro com destino a Bragança Paulista, cidade onde frequentava a faculdade.
Onze dias após o misterioso desaparecimento, as autoridades localizaram o corpo sem vida da jovem na Serra do Lopo, numa ribanceira com aproximadamente 30 metros de profundidade. O cenário macabro encontrado pela perícia revelou contornos de extrema crueldade: Larissa apresentava os punhos amarrados aos tornozelos, a cabeça envolta em fita adesiva, múltiplos ferimentos pelo corpo, além de fraturas severas no rosto e no pescoço provocadas por agressões com um peso de academia e sinais evidentes de estrangulamento.
“José Roberto era apaixonado por Luccas e teria decidido eliminar Larissa depois que o rapaz se recusou a assumir a relação e terminar o noivado com a jovem.”
A teia de traição, paixão obsessiva e o plano macabro
A investigação policial, desencadeada na sequência de uma denúncia anónima, desvendou uma conspiração motivada por obsessão e ciúmes doentios. O empresário José Roberto dos Santos Freire, de 35 anos, acabou por confessar ter planeado todo o crime. Descobriu-se que o mandante mantinha um relacionamento amoroso secreto com Luccas Gamero, que era simultaneamente funcionário da sua loja e noivo da vítima.
Conforme apurado pela polícia, José Roberto nutria uma paixão avassaladora por Luccas e decidiu eliminar Larissa após o jovem funcionário recusar terminar o noivado e assumir publicamente a relação homoafetiva. Para executar o plano macabro de rapto e assassinato, o empresário contratou um casal — Rosiane Rosa da Silva e Valdeir Bispo dos Santos —, que recebeu a quantia de mil reais para atrair e sequestrar a universitária antes de a entregarem na residência do mandante.
A revolta popular com a descoberta do caso foi imediata e violenta, levando os moradores de Extrema a depredar e incendiar a loja comercial de José Roberto. O noivo da vítima, Luccas Gamero, chegou a ser detido temporariamente sob suspeita de envolvimento no homicídio, mas acabou libertado dias mais tarde por insuficiência de provas, vindo a ser absolvido nos julgamentos posteriores. Em 2017, o Tribunal emitiu a sentença final para os executores e o mentor intelectual: José Roberto e Valdeir foram condenados a penas de 17 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.
