O combate ao crime organizado e à exploração clandestina de recursos minerais na África do Sul resultou numa das maiores rusgas dos últimos tempos na província de Gauteng. Vários cidadãos de nacionalidade moçambicana foram detidos pelas autoridades sul-africanas, integrando um grupo de 198 suspeitos surpreendidos numa mina desativada na região de West Rand.
Operação Prosper: Forças armadas e polícia cercam a mina Losberg Kloof
O desmantelamento desta rede clandestina ocorreu no seio da mina Losberg Kloof, localizada na região de Westonaria. O cerco ao local foi executado através da apelidada Operação Prosper, uma ação estratégica coordenada e conjunta que envolveu o contingente da Polícia de Gauteng, as forças militares da Força de Defesa Nacional da África do Sul (SANDF) e as equipas privadas de segurança da conhecida empresa mineradora Sibanye.
Durante a incursão pelas galerias e imediações da infraestrutura mineira, as equipas de intervenção surpreenderam dezenas de mineiros ilegais — vulgarmente conhecidos na região como zama zamas — em plena atividade criminosa. No local, foi apreendida uma quantidade significativa de equipamentos e ferramentas de grande porte, supostamente utilizados na extração, trituração e processamento ilegal de minerais preciosos.
“A operação foi cirúrgica e o número elevado de capturas demonstra a dimensão da exploração ilícita naquela província. A maioria dos detidos não possui documentação legal e operava à margem da lei”, indicou uma fonte ligada ao comando operacional.
Imigração ilegal e o perfil dos suspeitos
O balanço oficial emitido pelas autoridades sul-africanas após a triagem dos detidos veio confirmar o forte pendor transfronteiriço desta atividade criminosa. A esmagadora maioria dos 198 indivíduos capturados é composta por cidadãos estrangeiros em situação irregular na África do Sul, oriundos maioritariamente de Moçambique, Zimbabwe e Lesoto.
Os eixos fundamentais que marcam o desdobramento deste caso estruturam-se nos seguintes pontos:
A cooperação de alta intensidade entre as forças policiais (Polícia de Gauteng), o exército sul-africano (SANDF) e a segurança privada da Sibanye.
A apreensão e confisco de todo o material tático e logístico usado na extração mineira ilegal.
O início do processo de identificação consular dos cidadãos moçambicanos envolvidos na rede para apurar o seu estatuto migratório.
A acusação formal que inclui crimes de mineração ilegal, invasão de propriedade privada e violação das leis de imigração da África do Sul.
Os detidos foram encaminhados para as celas policiais de West Rand e deverão ser apresentados perante os magistrados sul-africanos nos próximos dias para conhecerem as medidas de coação, enfrentando a forte probabilidade de penas de prisão seguidas de deportação para os respetivos países de origem.
Fonte: Balanço Operacional da Polícia de Gauteng / Força de Defesa Nacional da África do Sul (SANDF) / Reportagem Especial Miramar
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